O tema que vem assolando os brasileiros a cada dia caiu na pauta da última edição do Entre Modais segunda-feira, e como de costume transformamos a edição em um artigo. E aí, você tem medo dela? Em que níveis a inflação impacta no seu dia a dia e na saúde do seu negócio?

Quando vamos ao mercado, não se ouve outra coisa: “Nossa, como subiu!” Sim, a inflação atual do Brasil é assunto para se preocupar, independente do setor onde se atua. Sinteticamente, a inflação nada mais é do que o aumento contínuo dos preços em uma economia, quando tudo começa a subir, em um efeito dominó.

Por que devemos nos preocupar com a inflação?

O grande mal está na diminuição do poder de compra das pessoas. A inflação corrói o valor do salário, e aquilo que você comprou há um tempo atrás será mais caro um tempo depois. O efeito cascata começa assim: se todo mundo pode comprar menos, as empresas vão ganhar menos e vão investir menos, até mesmo pagar menos os seus colaboradores. Neste cenário, a empresa se vê na situação de aumentar o preço do seu produto e acaba inflacionando o mercado por sua vez, num ciclo vicioso.

O que faz a inflação subir ou descer?

O primeiro grande fator está relacionado aos gastos do governo. Quando há mais dinheiro circulando, as pessoas consomem mais, aumentando a demanda, que nem sempre consegue acompanhar esse ritmo. Quando a produção de um determinado bem fica escassa, também faz os preços subirem. Ainda existe o fator da indexação, que é a alteração de preços referente a um determinado índice ou taxa anterior ao vigente.

Qual o impacto da inflação para o setor logístico?

A logística é essencial em qualquer economia, sem ela, tudo literalmente para. E esse vai e vem depende do que? Combustível. O Brasil é um país que depende muito do transporte rodoviário, por exemplo, e quando o preço do diesel aumenta, isso acaba fazendo o valor de praticamente tudo subir também, pois quase todos os setores da economia estão atrelados ao transporte.

O grande “gap” (problema) é que as transportadoras nem sempre acompanham essa evolução de preços. Muitas delas acabam não reajustando o valor de seus fretes na mesma proporção do valor dos combustíveis. E aí como não deixar de lucrar mais ou sair no prejuízo? Essa é a grande questão.

Só nos últimos 12 meses, o valor do diesel saltou 49% enquanto o preço para as cargas fracionadas teve um aumento de 18% em um ano. A longo prazo, esse desgaste prejudica o desenvolvimento da economia. Além de todo impacto para o consumidor final, que acaba sentindo no bolso como ninguém, os empresários também se veem com dificuldade para investir e ampliar suas instalações. Ou seja, é um cenário ruim para todo mundo.

Qual então a saída? Como contornar a inflação visando a sustentação de um negócio?

Momentos de crise são ótimas oportunidades para deixar a criatividade florescer. É aí que surgem as grandes soluções, onde as inovações são fomentadas. Você tem duas opções: reclamar ou fazer diferente.

Um ponto muito importante está na gestão do negócio. É preciso avaliar como está sendo operacionalizado todo o processo, desde o prático até o organizacional, como os custos estão sendo gerenciados. Num momento onde a linha está apertada, exige-se muita organização. É aí que o planejamento entra em jogo, apontando para onde devem ser enxugados alguns gastos e cortadas certas despesas. Um planejamento estratégico bem elaborado serve para apontar os gargalos e como superá-los.

E para as transportadoras especificamente, quais as dicas?

Poderíamos listar uma série de boas práticas aqui, mas além do óbvio, é interessante também enxergar pela ótica do que “não fazer”. Vamos lá:

  • NÃO suba pouco o seu valor em relação ao reajuste. Muitas empresas fazem isso mirando na competitividade, mas a longo prazo não é uma solução muito viável. Fazendo isso, você estará pagando insumos da logística que normalmente são feitos a toque de caixa (diesel, peças, por exemplo) para receber futuramente um valor em dinheiro que já vai ter se desvalorizado.
  • Também não caia no erro de negociar prazos achando que isso vai influenciar positivamente no seu lucro. Para uma empresa pequena, o principal ponto que a inflação afeta é no capital de giro, no caixa. Num cenário onde os preços só sobem, você terá dificuldade em emprestar dinheiro do banco para recuperar um rombo do passado, por exemplo.

O que você pode fazer então?

Aqui vão algumas ideias que não se atrelam a consequências muito graves:

  • Negociar com seus fornecedores, ver se eles conseguem melhorar as condições de pagamento.
  • Otimizar o processo, eliminando possíveis fatores que gerem atraso ou gasto excessivo.

Lembre-se: Quem se planeja está sempre mais preparado. Comunicação entre o time é fundamental, nada se faz sozinho. Motive a galera a resolver os problemas!

Leopoldo Suarez

Leopoldo Suarez

CEO da KMM | Partner nstech

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