O tema frete mínimo voltou ao centro das discussões no transporte rodoviário de cargas. Em um cenário marcado por margens apertadas, aumento de custos operacionais e negociações cada vez mais complexas, entender como funciona o piso mínimo do frete deixou de ser apenas uma obrigação legal e passou a ser um fator estratégico para transportadores, embarcadores e operadores logísticos.
Além disso, a recente atualização da metodologia feita pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) reforça a importância de acompanhar de perto as regras que impactam diretamente o planejamento financeiro e operacional das operações de transporte.
Neste artigo, você vai entender o que é o frete mínimo, por que ele existe, como ele influencia o mercado e o que muda com a nova revisão da ANTT.
- O que é frete mínimo?
- Por que o frete mínimo foi criado?
- Como funciona o cálculo do frete mínimo?
- Qual o impacto do frete mínimo na logística e no transporte?
- Por que o frete mínimo precisa ser revisado periodicamente
- A atualização mais recente da ANTT sobre o frete mínimo
- O que muda com a nova metodologia?
- O objetivo da ANTT com a revisão do frete mínimo
- Frete mínimo e gestão: por que acompanhar esse tema de perto?
- Conclusão
O que é frete mínimo?
O frete mínimo é um valor de referência obrigatório para o transporte rodoviário de cargas no Brasil. Ele foi instituído pela Lei nº 13.703/2018, com o objetivo de estabelecer um piso mínimo de remuneração para o transporte, considerando os custos básicos da operação.
É importante destacar que:
- O frete mínimo não é um preço fixo;
- Ele funciona como um valor mínimo legal;
- Nenhuma operação pode ser contratada abaixo desse piso.
A principal função é garantir que o transporte cubra os custos operacionais, protegendo especialmente os caminhoneiros autônomos, que são mais vulneráveis às oscilações do mercado.
Por que o frete mínimo foi criado?
O frete mínimo surgiu em resposta a um problema histórico do setor: a remuneração insuficiente para cobrir os custos reais do transporte.
Antes da sua criação, era comum encontrar fretes que:
- Não cobriam o custo do combustível;
- Ignoravam manutenção, pneus e depreciação;
- Pressionavam o transportador a operar no prejuízo.
Com isso, o frete mínimo passou a atuar como um mecanismo de equilíbrio econômico, trazendo mais previsibilidade e reduzindo práticas predatórias no mercado.
Como funciona o cálculo do frete mínimo?
O cálculo é feito a partir de uma tabela de pisos mínimos, publicada periodicamente pela ANTT.
Essa tabela considera diversos fatores, como:
- Tipo de carga;
- Tipo de veículo;
- Distância percorrida (valor por quilômetro rodado);
- Custos operacionais médios.
Entre os principais custos considerados estão:
- Combustível;
- Manutenção;
- Pneus;
- Depreciação do veículo;
- Pedágios;
- Custos administrativos.
O resultado é um valor de referência por quilômetro, que varia conforme a operação.
Qual o impacto do frete mínimo na logística e no transporte?
Embora o frete mínimo tenha sido criado como uma medida de proteção, ele impacta toda a cadeia logística.
Para transportadores
- Mais segurança na negociação;
- Redução de operações deficitárias;
- Base mínima para formação de preço.
Para embarcadores
- Necessidade de adequação dos contratos;
- Impacto direto no custo logístico;
- Mais previsibilidade, porém menos flexibilidade.
Para o consumidor final
- Influência indireta no preço dos produtos;
- Repasse de custos logísticos na cadeia.
Ou seja, o frete mínimo não afeta apenas quem está na estrada, mas todo o ecossistema logístico.
Por que o frete mínimo precisa ser revisado periodicamente
Os custos do transporte não são estáticos. Eles variam constantemente em função de fatores como:
- Oscilação do preço do diesel;
- Aumento no custo de manutenção;
- Variações no valor de pneus e peças;
- Pedágios e tributos.
Quando a metodologia de cálculo não acompanha essas mudanças, o piso mínimo pode ficar:
- Abaixo da realidade operacional;
- Descolado dos custos reais;
- Fonte de conflitos entre contratantes e transportadores.
Por isso, a legislação prevê revisões periódicas, garantindo que o frete continue refletindo o custo de rodar um caminhão no Brasil.
A atualização mais recente da ANTT sobre o frete mínimo
Recentemente, a ANTT concluiu uma nova revisão da metodologia utilizada para calcular o piso mínimo do frete. A atualização entrou em vigor com a nova publicação semestral dos valores e traz ajustes importantes na forma como os custos são considerados.
O principal objetivo dessa mudança foi aproximar o frete mínimo da realidade atual da operação de transporte, revisando os parâmetros técnicos que compõem o valor por quilômetro rodado.
Na prática, a Agência buscou responder a uma questão central para o setor: quanto realmente custa manter um caminhão rodando hoje?
O que muda com a nova metodologia?
A estrutura geral do modelo de cálculo foi mantida, mas os coeficientes técnicos utilizados passaram por ajustes. Isso significa que o frete mínimo continua sendo calculado com base nos mesmos pilares, porém com números mais alinhados ao cenário atual do transporte rodoviário.
Com essa revisão:
- O valor de referência tende a refletir melhor os custos reais da operação;
- As negociações entre transportadores e embarcadores ganham mais clareza;
- Reduzem-se disputas contratuais relacionadas ao preço do frete;
- O planejamento logístico se torna mais previsível.
A atualização segue o calendário semestral já previsto em lei, reforçando a previsibilidade regulatória para o setor.
O objetivo da ANTT com a revisão do frete mínimo
Segundo a própria Agência, a revisão da metodologia tem como foco dar mais estabilidade a um setor essencial para o abastecimento nacional.
Ao ajustar os parâmetros de cálculo, a ANTT busca:
- Reduzir ruídos nas negociações;
- Oferecer mais segurança jurídica;
- Criar regras mais claras para quem transporta e para quem contrata.
Em um mercado altamente sensível a custos, pequenas distorções no cálculo podem gerar grandes impactos. Por isso, a atualização do frete mínimo é vista como um passo importante para equilibrar a relação entre os diferentes agentes do transporte rodoviário de cargas.
Frete mínimo e gestão: por que acompanhar esse tema de perto?
Mais do que conhecer a regra, acompanhar as atualizações do frete mínimo é fundamental para uma gestão eficiente do transporte.
Empresas que não monitoram essas mudanças podem enfrentar:
- Contratos desatualizados;
- Margens comprimidas;
- Dificuldade na formação de preço;
- Riscos jurídicos.
Nesse contexto, a tecnologia passa a ser uma grande aliada, permitindo simular cenários, comparar custos e garantir que os valores praticados estejam alinhados à legislação e à realidade operacional.
Conclusão
O frete mínimo é um dos temas mais sensíveis e relevantes do transporte rodoviário de cargas. Ele influencia negociações, contratos, custos logísticos e, consequentemente, a sustentabilidade financeira das operações.
A recente atualização da metodologia pela ANTT reforça a necessidade de uma gestão cada vez mais profissional, baseada em dados, controle de custos e visibilidade operacional. Em um setor onde cada quilômetro conta, entender o tema não é apenas cumprir a lei, mas tomar decisões mais seguras e estratégicas.
Acompanhar essas mudanças e traduzir a legislação para a prática do dia a dia é um diferencial competitivo para transportadoras, operadores logísticos e embarcadores que buscam eficiência, previsibilidade e equilíbrio nas suas operações.

Executive Director & Partner | nstech




