Seguros obrigatórios ANTT: entenda as novas regras e como manter sua transportadora em conformidade

KMM TNS Inside 13 min de leitura

Os seguros obrigatórios ANTT passaram a ocupar um papel ainda mais estratégico no transporte rodoviário de cargas após as recentes mudanças na legislação brasileira. Mais do que uma exigência regulatória, eles representam um importante mecanismo de proteção para transportadoras, embarcadores, motoristas e demais envolvidos na cadeia logística, garantindo maior segurança financeira diante de acidentes, roubos e outros imprevistos.

Nos últimos anos, a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) reforçou as regras relacionadas à contratação desses seguros e modernizou a forma de fiscalização. Com a integração eletrônica entre seguradoras e a própria Agência, a verificação das apólices tornou-se muito mais ágil, reduzindo a possibilidade de operações realizadas em desacordo com a legislação.

Essas mudanças exigem que as transportadoras adotem uma gestão mais organizada de seus documentos, contratos e processos internos. Afinal, manter os seguros em dia não significa apenas evitar penalidades, mas também garantir continuidade operacional, proteção patrimonial e mais confiança nas relações comerciais.

Neste artigo, você vai entender quais são os seguros obrigatórios ANTT, o que mudou com a regulamentação recente, como funciona a fiscalização e de que forma a tecnologia pode ajudar sua empresa a manter a conformidade e reduzir riscos.

O que são os seguros obrigatórios ANTT?

Os seguros obrigatórios ANTT são coberturas exigidas pela legislação para proteger as operações de transporte rodoviário remunerado de cargas contra diferentes tipos de riscos.

Seu objetivo é assegurar que, em caso de acidentes, roubos ou danos causados durante o transporte, existam mecanismos financeiros capazes de minimizar os prejuízos e garantir a indenização das partes envolvidas.

Essas exigências fazem parte de uma política voltada ao fortalecimento do setor de transporte rodoviário de cargas, trazendo mais segurança jurídica para embarcadores, transportadores e clientes.

Em um segmento onde diariamente milhões de reais em mercadorias circulam pelas rodovias brasileiras, contar com seguros adequados deixou de ser apenas uma boa prática e passou a ser um requisito indispensável para operar de forma regular.

Além de proteger o patrimônio transportado, os seguros obrigatórios também contribuem para aumentar a credibilidade das empresas perante o mercado, demonstrando compromisso com a conformidade e com a gestão responsável dos riscos inerentes à atividade.

O que mudou com as novas regras da ANTT a respeito de Seguros Obrigtórios ANTT?

Embora parte dessas coberturas já existisse anteriormente, a publicação da Lei nº 14.599/2023 trouxe mudanças importantes para o transporte rodoviário de cargas. Posteriormente, essas alterações foram regulamentadas pela Resolução ANTT nº 6.068/2025 e operacionalizadas pela Portaria SUROC nº 27/2025, que definiu como ocorreria a integração das informações entre seguradoras e a Agência.

Na prática, o transportador passou a assumir maior responsabilidade sobre a contratação e manutenção das apólices obrigatórias, enquanto a ANTT ganhou mecanismos para realizar verificações automáticas sobre a regularidade dessas informações.

Uma das principais novidades foi justamente a criação da integração eletrônica entre seguradoras e o RNTRC (Registro Nacional de Transportadores Rodoviários de Cargas). Em vez de depender exclusivamente da apresentação de documentos em fiscalizações presenciais, a Agência passou a validar digitalmente a existência e a vigência das apólices contratadas.

Isso tornou o processo muito mais eficiente e aumentou significativamente a capacidade de fiscalização.

Outra mudança importante diz respeito à manutenção do RNTRC. Empresas que deixarem de atender às exigências relacionadas aos seguros obrigatórios poderão enfrentar restrições cadastrais e até mesmo a suspensão do registro, comprometendo sua capacidade de operar regularmente.

Essas alterações reforçam a importância de manter toda a documentação atualizada e de acompanhar continuamente a situação dos seguros contratados.

Quais são os seguros obrigatórios ANTT?

Atualmente, a legislação estabelece três seguros obrigatórios para o transporte rodoviário remunerado de cargas.

Cada um deles possui uma finalidade específica e protege riscos diferentes ao longo da operação logística.

SeguroO que cobreObrigatório?
RCTR-CDanos à carga decorrentes de acidentes (colisão, tombamento, incêndio etc.)✅ Sim
RC-DCRoubo, furto qualificado, apropriação indébita e desaparecimento da carga✅ Sim
RC-VDanos materiais, corporais e morais causados a terceiros✅ Sim

RCTR-C: cobertura para acidentes com a carga

O Seguro de Responsabilidade Civil do Transportador Rodoviário de Carga (RCTR-C) é destinado à cobertura de prejuízos causados à carga em decorrência de acidentes envolvendo o veículo transportador.

Entre os eventos normalmente contemplados estão colisões, capotamentos, tombamentos, incêndios e explosões ocorridos durante o transporte.

Caso a mercadoria seja danificada em razão desses acidentes, a apólice oferece respaldo financeiro para a indenização dos prejuízos, protegendo tanto o transportador quanto o proprietário da carga.

Essa cobertura continua sendo uma das mais importantes do transporte rodoviário, principalmente porque acidentes continuam sendo um dos principais fatores de risco da atividade.

RC-DC: proteção contra roubo e desaparecimento da carga

Outro seguro obrigatório é o Seguro de Responsabilidade Civil por Desaparecimento de Carga (RC-DC).

Embora durante muitos anos tenha sido tratado como uma cobertura facultativa, a Lei nº 14.599/2023 tornou sua contratação obrigatória para o transportador responsável pela operação.

Esse seguro protege situações como roubo, furto qualificado, apropriação indébita e desaparecimento total da carga durante o transporte.

Considerando que o roubo de cargas ainda representa um dos maiores desafios da logística brasileira, essa cobertura passou a desempenhar papel ainda mais relevante na gestão de riscos das transportadoras.

RC-V: cobertura para danos causados a terceiros

A legislação também passou a exigir o Seguro de Responsabilidade Civil de Veículo (RC-V).

Sua finalidade é garantir cobertura para danos materiais, corporais ou morais eventualmente causados a terceiros em decorrência de acidentes envolvendo o veículo transportador.

Essa cobertura amplia a proteção jurídica da operação e reduz riscos financeiros decorrentes de eventuais responsabilidades civis assumidas pelo transportador.

Mais do que atender à legislação, o RC-V contribui para tornar toda a cadeia logística mais segura e protegida.

Contratar o seguro é apenas parte da responsabilidade

Manter os seguros obrigatórios contratados é fundamental para operar de forma regular, mas essa não é a única responsabilidade do transportador quando o assunto é gestão de riscos.

Na prática, muitas seguradoras estabelecem uma série de requisitos que precisam ser cumpridos para que a cobertura securitária seja válida em caso de sinistro. Essas exigências costumam estar descritas no chamado Plano de Gerenciamento de Risco (PGR).

O PGR reúne procedimentos destinados a reduzir a probabilidade de acidentes, roubos e outras ocorrências durante o transporte. Dependendo do perfil da carga e da operação, podem ser exigidas medidas como utilização de rastreamento, monitoramento da viagem, definição de rotas específicas, controle de paradas, consulta cadastral de motoristas e veículos, além da adoção de tecnologias de segurança.

Por isso, possuir uma apólice vigente não garante, por si só, o direito à indenização. Caso as regras estabelecidas no Plano de Gerenciamento de Risco não sejam cumpridas, a seguradora poderá analisar o descumprimento dessas exigências no processo de regulação do sinistro.

Nesse contexto, investir em processos estruturados e em tecnologias que apoiem o gerenciamento de risco torna-se tão importante quanto manter os seguros em dia.

Uma das referências nacionais nesse segmento é a Buonny, empresa que integra o ecossistema nstech e atua há mais de três décadas oferecendo soluções voltadas à gestão de riscos no transporte rodoviário de cargas.

Por meio de suas tecnologias e integrações com sistemas de gestão, é possível realizar consultas cadastrais de motoristas, validar informações em bases especializadas, automatizar solicitações de monitoramento e fortalecer o cumprimento das exigências previstas pelos Planos de Gerenciamento de Risco. Dessa forma, as transportadoras aumentam a segurança operacional, reduzem retrabalho e ganham mais tranquilidade para conduzir suas operações.

Como funciona a fiscalização eletrônica da ANTT?

A modernização das regras também trouxe uma mudança importante na forma como a Agência Nacional de Transportes Terrestres fiscaliza o cumprimento da legislação.

Se antes a comprovação dos seguros dependia, em muitos casos, da apresentação de documentos durante abordagens presenciais ou processos administrativos, hoje grande parte dessa verificação acontece de forma automatizada.

Por meio da integração entre as seguradoras e a ANTT, as informações das apólices são compartilhadas eletronicamente, permitindo que o órgão acompanhe a situação cadastral dos transportadores com muito mais agilidade.

Na prática, a Agência consegue verificar informações como:

  • existência das apólices obrigatórias;
  • vigência dos seguros contratados;
  • vínculo entre a cobertura e o transportador responsável;
  • regularidade do RNTRC.

Esse modelo reduz a burocracia para quem atua corretamente e aumenta a capacidade de fiscalização sobre operações que estejam em desacordo com a legislação.

Além disso, a integração digital diminui o risco de inconsistências cadastrais e contribui para tornar o ambiente regulatório mais transparente e confiável para todo o setor de transporte rodoviário de cargas.

Quais são as penalidades para quem não cumprir as exigências de seguros obrigatórios ANTT?

O descumprimento das regras relacionadas aos seguros obrigatórios pode gerar consequências que vão muito além da aplicação de penalidades administrativas.

Como a regularidade das apólices passou a estar diretamente vinculada ao Registro Nacional de Transportadores Rodoviários de Cargas (RNTRC), deixar de atender às exigências pode comprometer a própria capacidade da empresa de continuar operando.

Dependendo da situação identificada pela ANTT, o transportador poderá ser notificado para regularizar sua situação e, caso isso não aconteça dentro do prazo estabelecido, poderá sofrer restrições relacionadas ao registro.

Além dos impactos regulatórios, operar sem as coberturas obrigatórias aumenta significativamente o risco financeiro da empresa.

Imagine, por exemplo, uma ocorrência envolvendo um acidente com perda total da carga ou um roubo durante o transporte. Sem as apólices exigidas — ou sem o cumprimento das condições estabelecidas pela seguradora — todos os custos decorrentes da indenização poderão recair diretamente sobre o transportador.

Dependendo do valor da carga transportada, um único sinistro pode comprometer seriamente o fluxo de caixa da empresa e até colocar em risco a continuidade das operações.

Por esse motivo, a conformidade deve ser encarada não apenas como uma obrigação legal, mas como parte da estratégia de gestão de riscos das transportadoras.

Tecnologia e gestão documental fazem a diferença

À medida que a legislação se torna mais digital e integrada, controlar documentos manualmente passa a representar um risco cada vez maior para as empresas.

Apólices com vencimento próximo, alterações cadastrais, documentos fiscais, contratos de transporte e demais exigências regulatórias precisam estar organizados e facilmente acessíveis.

Quando essas informações ficam distribuídas entre planilhas, e-mails ou arquivos físicos, aumentam as chances de erros, retrabalho e perda de prazos importantes.

Por outro lado, empresas que utilizam sistemas de gestão conseguem centralizar essas informações em um único ambiente, facilitando o acompanhamento da documentação e reduzindo falhas operacionais.

Além de proporcionar maior organização, a tecnologia também permite automatizar processos, gerar alertas sobre vencimentos e oferecer uma visão mais completa da operação.

Essa visibilidade facilita auditorias internas, agiliza a resposta a fiscalizações e contribui para que a transportadora mantenha sua conformidade mesmo diante de um cenário regulatório cada vez mais dinâmico.

Como o ecossistema nstech contribui para operações mais seguras

Cumprir as exigências relacionadas aos seguros obrigatórios envolve muito mais do que contratar uma apólice. É preciso garantir que toda a operação esteja organizada, que os processos sejam executados corretamente e que os requisitos definidos pelas seguradoras sejam atendidos durante o transporte.

Nesse cenário, contar com soluções especializadas faz toda a diferença.

O ecossistema da nstech reúne tecnologias que apoiam diferentes etapas da operação logística, contribuindo para aumentar a segurança, reduzir riscos e simplificar a gestão das transportadoras.

Quando falamos em gerenciamento de risco, por exemplo, a Buonny é uma das principais referências do mercado brasileiro. Suas soluções permitem realizar consultas cadastrais, apoiar processos de monitoramento e auxiliar as empresas no atendimento aos requisitos previstos pelos Planos de Gerenciamento de Risco (PGR).

Já na gestão operacional, o KMM oferece uma visão integrada de toda a operação logística, centralizando informações sobre viagens, documentos, transportadores, indicadores e processos em um único ambiente.

Embora o TMS não substitua a contratação dos seguros, ele contribui para uma gestão muito mais organizada, reduzindo retrabalho, aumentando a rastreabilidade das operações e proporcionando maior controle sobre informações essenciais para o cumprimento das exigências regulatórias.

Quando essas soluções trabalham de forma integrada dentro do ecossistema nstech, as transportadoras conseguem unir gestão operacional, gerenciamento de risco e conformidade regulatória em uma única estratégia, tornando a operação mais eficiente e preparada para os desafios do setor.

Conclusão

Os seguros obrigatórios ANTT representam um importante avanço para o transporte rodoviário de cargas, fortalecendo a proteção financeira das operações e contribuindo para um mercado mais seguro, transparente e profissional.

Com as mudanças trazidas pela Lei nº 14.599/2023 e sua regulamentação pela ANTT, a fiscalização tornou-se mais moderna e eficiente, exigindo das transportadoras um controle ainda maior sobre suas apólices, processos e documentação.

No entanto, estar em conformidade vai além da simples contratação dos seguros obrigatórios. Também envolve cumprir as exigências previstas pelos Planos de Gerenciamento de Risco, manter a documentação organizada e utilizar tecnologias que ofereçam mais visibilidade sobre toda a operação.

Nesse contexto, investir em sistemas de gestão e soluções integradas permite reduzir riscos, aumentar a eficiência operacional e garantir que a empresa esteja preparada para atender às exigências regulatórias sem comprometer sua produtividade.

Mais do que evitar penalidades, uma operação bem estruturada transmite confiança aos clientes, fortalece a reputação da transportadora e cria uma base sólida para um crescimento sustentável em um mercado cada vez mais competitivo.

KMM TNS Inside